A noite é vã e densa,
Sob a minha descendência,
Vem a nova geração de oiro,
A nova geração de caloiro!
Ainda sinto suave,
Este respirar grave!
Ainda ouço soar o grito,
Das palavras vorazes, ao ouvido!
Em mim, está ainda presente,
As fugazes e felizes vivências,
Dos tempos em que a veemência
Das negras vozes, estava bem assente!
Tenho ainda em visão,
Aquele movimento sapateado
Deixando, aqui e ali, fugir o sermão
Em tom ofegante e pouco apressado!
As guitarras vão chorando
E os meus joelhos apertando,
Pesada e penosamente a calçada,
Ao ritmo do choro da balada!
A noite não podia ser mais negra!
Esta tal sina tão negra,
Que me une à calçada,
Alegra-me por ainda não ter capa traçada!
Tudo mudou,
E agora sou,
Mais um de capa traçada,
A chorar mais do que chora a balada!
A cada nota pela guitarra tocada,
Acresce-me agora ao coração a dor!
Já não sou feliz como quando na calçada,
No entanto, sofro pelo mesmo amor!
E a dor vai sendo acumulada,
Ao soar entristecida,
A bela melodia,
Até que, de velha capa traçada,
Solta-se a lágrima da despedida,
Chora-se na Noite da Serenata!
'Patricio Gonçalves'
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