sábado, 23 de janeiro de 2010

Noite da Serenata


A noite é vã e densa,
Sob a minha descendência,
Vem a nova geração de oiro,
A nova geração de caloiro!

Ainda sinto suave,
Este respirar grave!
Ainda ouço soar o grito,
Das palavras vorazes, ao ouvido!

Em mim, está ainda presente,
As fugazes e felizes vivências,
Dos tempos em que a veemência
Das negras vozes, estava bem assente!

Tenho ainda em visão,
Aquele movimento sapateado
Deixando, aqui e ali, fugir o sermão
Em tom ofegante e pouco apressado!

As guitarras vão chorando
E os meus joelhos apertando,
Pesada e penosamente a calçada,
Ao ritmo do choro da balada!


A noite não podia ser mais negra!
Esta tal sina tão negra,
Que me une à calçada,
Alegra-me por ainda não ter capa traçada!

Tudo mudou,
E agora sou,
Mais um de capa traçada,
A chorar mais do que chora a balada!

A cada nota pela guitarra tocada,
Acresce-me agora ao coração a dor!
Já não sou feliz como quando na calçada,
No entanto, sofro pelo mesmo amor!

E a dor vai sendo acumulada,
Ao soar entristecida,
A bela melodia,
Até que, de velha capa traçada,
Solta-se a lágrima da despedida,
Chora-se na Noite da Serenata!

'Patricio Gonçalves'